eu me desafio a ser dono da minha vontade
e não me deixar sucumbir por tudo que acontece
e me desafio a ter mais curiosidade
mais paciência e assertividade
não mais perder meus territórios para o que me aborrece
e eu começo de uma forma simples, com pequenos passos
levemente premeditados, quase isentos de expectativas
não sou ingênuo e o mundo não é fácil
chega de jogar sal na ferida
26.4.11
19.4.11
Quase indolor
procurando as chaves na escuridão, fazendo barulho com a porta
as coisas se despem de você e enfim há um pouco de água morna
dá pra ver a lua dessa janela, dá pra ouvir a rua
e os vizinhos insones que brigam entre si nunca chegam a um acordo
e os cães voltam a latir em intervalos de 5 minutos
e os pensamentos não param, eles nunca param
vão andar do seu lado e te seguir, até mesmo em seus sonhos
saiba lidar com o cansaço, com o silêncio e com o torpor
com a alegria que transborda, com a ausência que esvazia
daqui a pouco vem outro dia e tudo se transformou
de repente, isso é quase indolor
as coisas se despem de você e enfim há um pouco de água morna
dá pra ver a lua dessa janela, dá pra ouvir a rua
e os vizinhos insones que brigam entre si nunca chegam a um acordo
e os cães voltam a latir em intervalos de 5 minutos
e os pensamentos não param, eles nunca param
vão andar do seu lado e te seguir, até mesmo em seus sonhos
saiba lidar com o cansaço, com o silêncio e com o torpor
com a alegria que transborda, com a ausência que esvazia
daqui a pouco vem outro dia e tudo se transformou
de repente, isso é quase indolor
8.4.11
conclusões antes de dormir
eu, tinha um coração
corpo e mente sã
tudo em harmonia
quando, eu me levantei
me deparei com um eu
que não mais reconhecia
não era eu...
ouça
um sussurro
escarlate
vida
de ferida
o talvez arde
corpo e mente sã
tudo em harmonia
quando, eu me levantei
me deparei com um eu
que não mais reconhecia
não era eu...
ouça
um sussurro
escarlate
vida
de ferida
o talvez arde
24.3.11
quieto...
Mesmo quando você para e amarra os cadarços, a vida continua
ela segue contínua e nada faz ela parar
As vezes dá vontade de tomar um fôlego, mas já que nunca é o suficiente
só resta continuar como é possível, levantar e cumprir tudo o que está prescrito enquanto secretamente tento resolver as desavenças internas,
que às vezes, parecem eternas.
Esse é o ritmo da dança, o nome do jogo
a orientação severa que não te deixa brechas
trace sua própria estratégia, seja seu amigo
no final do dia, talvez, contemplará o sono dos justos
ela segue contínua e nada faz ela parar
As vezes dá vontade de tomar um fôlego, mas já que nunca é o suficiente
só resta continuar como é possível, levantar e cumprir tudo o que está prescrito enquanto secretamente tento resolver as desavenças internas,
que às vezes, parecem eternas.
Esse é o ritmo da dança, o nome do jogo
a orientação severa que não te deixa brechas
trace sua própria estratégia, seja seu amigo
no final do dia, talvez, contemplará o sono dos justos
15.3.11
Sine qua non
separados e constituídos de orvalho
esquecerão suas origens para sempre
quicando entre os blocos contra a luz
se despedindo um do outro sem pensar se há retorno
entorpecidos por valores adquiridos
acordarão sentindo-se perdidos
tocando o próprio rosto e duvidando de tudo
de todo mundo
em uma noite de domingo, com as mãos trêmulas
deixarão registrado deforma sintética sua dificuldade
a vida é tão bela, ainda com sua dor azeda
mas existem horas em que não há o que me conceda
o privilégio da verdade
Sendo assim, tenta não esquecer de mim
diga que fui um louco e amável de passagem
eu não sabia o quanto lhe aborrecia
suspirar por acaso em momento incoveniente
eu acertei a hora do relógio
me sinto sozinho e auto destrutivo
não queria que estivesse aqui para ver isso
sou o herói de braços fracos e buracos na face
está ficando tarde e eu não sei se quero deixar o dia acabar
o pesar transborda os bolsos
se me esforçar eu ouço o som da rebelião no peito
o choro é interrompido, bem como o bocejo
todos arriscam uma teoria equivalente
confiante, eu espero a névoa, que está na lista com outros eventos
que me fazem abrir um sorriso
chuvas
frio e blusas
dormir à tarde
palmito em conserva
música antiga
abraço de verdade
pai, como eu sou covarde
seria bom se a enfermidade não fosse cumulativa
se a informação não fosse indigesta
se a ansiedade não ricocheteasse nas paredes da alma
simples como um dente
olhar deforanão soa como privilégio
quem saber o tédio venha do mal costume
de um constante entretenimento
já perceberam que eu encaro as consequências
e o que mais me machuca é a carência
porque há coisas com as quais eu simplesmente não vou me habituar
eu sofro, e nessa altura do campeonato já ficou muito claro
é um pleonasmo macabro, esses espasmo idiota
por favor, não tranca a porta
agora falta pouco, o pior já passou, aí vem o conforto
meu plano é resolver isso agora
e estar melhor preparado para enfrentar desastres nucleares
notei que cansei de jogos
mas fantasia e sonhos me povoam, em milhares
esquecerão suas origens para sempre
quicando entre os blocos contra a luz
se despedindo um do outro sem pensar se há retorno
entorpecidos por valores adquiridos
acordarão sentindo-se perdidos
tocando o próprio rosto e duvidando de tudo
de todo mundo
em uma noite de domingo, com as mãos trêmulas
deixarão registrado deforma sintética sua dificuldade
a vida é tão bela, ainda com sua dor azeda
mas existem horas em que não há o que me conceda
o privilégio da verdade
Sendo assim, tenta não esquecer de mim
diga que fui um louco e amável de passagem
eu não sabia o quanto lhe aborrecia
suspirar por acaso em momento incoveniente
eu acertei a hora do relógio
me sinto sozinho e auto destrutivo
não queria que estivesse aqui para ver isso
sou o herói de braços fracos e buracos na face
está ficando tarde e eu não sei se quero deixar o dia acabar
o pesar transborda os bolsos
se me esforçar eu ouço o som da rebelião no peito
o choro é interrompido, bem como o bocejo
todos arriscam uma teoria equivalente
confiante, eu espero a névoa, que está na lista com outros eventos
que me fazem abrir um sorriso
chuvas
frio e blusas
dormir à tarde
palmito em conserva
música antiga
abraço de verdade
pai, como eu sou covarde
seria bom se a enfermidade não fosse cumulativa
se a informação não fosse indigesta
se a ansiedade não ricocheteasse nas paredes da alma
simples como um dente
olhar deforanão soa como privilégio
quem saber o tédio venha do mal costume
de um constante entretenimento
já perceberam que eu encaro as consequências
e o que mais me machuca é a carência
porque há coisas com as quais eu simplesmente não vou me habituar
eu sofro, e nessa altura do campeonato já ficou muito claro
é um pleonasmo macabro, esses espasmo idiota
por favor, não tranca a porta
agora falta pouco, o pior já passou, aí vem o conforto
meu plano é resolver isso agora
e estar melhor preparado para enfrentar desastres nucleares
notei que cansei de jogos
mas fantasia e sonhos me povoam, em milhares
2.3.11
quando te deixaram sair na chuva
chamo isso de compensação
em um dia a existência lhe tira tudo
em outro, lhe estende a mão
em um dia, você se perde de todo mundo
em outro, há direção
em um dia você acha um absurdo
em outro, não
sem pressa e sem demora, vasculhe com cuidado sua memória
vai e arruma essa bagunça
sempre pode ficar pior
sempre pode ficar melhor
- posso sair na chuva?
- pode ir, emprestei o guarda chuva pra sua vó.
em um dia a existência lhe tira tudo
em outro, lhe estende a mão
em um dia, você se perde de todo mundo
em outro, há direção
em um dia você acha um absurdo
em outro, não
sem pressa e sem demora, vasculhe com cuidado sua memória
vai e arruma essa bagunça
sempre pode ficar pior
sempre pode ficar melhor
- posso sair na chuva?
- pode ir, emprestei o guarda chuva pra sua vó.
28.2.11
quando te impediram de sair na chuva
aí está o mundo
cheio de riquezas, as quais não lhe pertencem
cheio de beleza, que não se pode tocar
repleto de diversidade e culturas emergentes
transbordando amor, que não se sabe onde achar
com catástrofes que felizmente não te encontram
e confusão que infelizmente te acompanha
- por favor, me deixa sair na chuva?
- se sair, você apanha!
cheio de riquezas, as quais não lhe pertencem
cheio de beleza, que não se pode tocar
repleto de diversidade e culturas emergentes
transbordando amor, que não se sabe onde achar
com catástrofes que felizmente não te encontram
e confusão que infelizmente te acompanha
- por favor, me deixa sair na chuva?
- se sair, você apanha!
17.2.11
vento solar
pela orla feito um cometa, desafio os céus como uma lembrança
a que não se alcança
ah, como eu poderia me livrar
de todo o peso que existe nessa vida
e enfim ver solto pelo ar
o nada
como lidar com as frequências baixas
cada memória, cada fase vencida
e a ferida há de curar, com mágoas
o intransigente sou eu, cada vez que finjo escutar
se dizem ser por opção, eu pergunto onde estaria
a lógica de nunca sonhar
pela orla feito engano, me entrego ao sono, contemplo a miragem
da qual sou personagem
a que não se alcança
ah, como eu poderia me livrar
de todo o peso que existe nessa vida
e enfim ver solto pelo ar
o nada
como lidar com as frequências baixas
cada memória, cada fase vencida
e a ferida há de curar, com mágoas
o intransigente sou eu, cada vez que finjo escutar
se dizem ser por opção, eu pergunto onde estaria
a lógica de nunca sonhar
pela orla feito engano, me entrego ao sono, contemplo a miragem
da qual sou personagem
13.2.11
achando os óculos
Vida é isso, sem segredo nenhum
e está aí na sua frente, te encarando, dizendo constantemente:
tem todo o direito de querer fazer do seu jeito, você corre o risco de conseguir
de qualquer forma, prepare-se para o que está por vir
Vida é assim, agridoce
ao contrário do que pensei que fosse
uma loteria de chances, um vai-vem de humores
tudo ao seu alcance desde que se pague o preço
será que eu mereço?
e está aí na sua frente, te encarando, dizendo constantemente:
tem todo o direito de querer fazer do seu jeito, você corre o risco de conseguir
de qualquer forma, prepare-se para o que está por vir
Vida é assim, agridoce
ao contrário do que pensei que fosse
uma loteria de chances, um vai-vem de humores
tudo ao seu alcance desde que se pague o preço
será que eu mereço?
16.1.11
coleção 4/10
Tem razão
a dúvida vai me seguir onde quer que eu esteja
mas não queria estar aqui, tenho alguma opção?
neve sabor cereja
a dúvida vai me seguir onde quer que eu esteja
mas não queria estar aqui, tenho alguma opção?
neve sabor cereja
8.1.11
a última viagem de rufus
dormindo acordado, nuvens em volta dos olhos
desejos tão escassos, eu sei que eu deveria limpar o que restou
as pedras que batem na nave, me lembram que nunca vi neve
nem paisagem suave, parece que ninguém acredita no que eu sou
eu era o primeiro daquela lista
um jovem promissos recém formado em física
achei ser boa idéia esquecerem meu rosto
aceitei a missão de prontidão em agosto
nem me preocupei do que se tratava
o que iria fazer ou quanto tempo durava
eu só queria abraçar o espaço, me perder por completo onde eu nunca me acho
a adaptação foi bem penosa
senti muito enjôo com a gravidade baixa
a rotação harmoniosa das minhas lembranças bem guardas em uma caixa
duas semanas, oito meses, um ano
tão solitário quanto quem chega ao topo
esperançoso, vulnerável, humano
brincando com os controles, fingindo ser louco
comida em pasta, bebida reciclada
programas de humor do ano passado
barra de ferro, saco de pancada
livros de outras linguas que não falo
os icebergs de saturno ainda brilham com a lembrança de um sol que se despede
outro desvio pra evitar cometas, acredito que eles sempre me seguem
se eu já não sei se chegarei a tempo de conhecer outras formas de vida
como saber se chegarei a salvo em alguma terra desconhecida?
e quem sabe eu não seja o alvo, por invadir o universo alheio
mas eu prossigo, firme e calmo, tento evitar o meu maior receio.
desejos tão escassos, eu sei que eu deveria limpar o que restou
as pedras que batem na nave, me lembram que nunca vi neve
nem paisagem suave, parece que ninguém acredita no que eu sou
eu era o primeiro daquela lista
um jovem promissos recém formado em física
achei ser boa idéia esquecerem meu rosto
aceitei a missão de prontidão em agosto
nem me preocupei do que se tratava
o que iria fazer ou quanto tempo durava
eu só queria abraçar o espaço, me perder por completo onde eu nunca me acho
a adaptação foi bem penosa
senti muito enjôo com a gravidade baixa
a rotação harmoniosa das minhas lembranças bem guardas em uma caixa
duas semanas, oito meses, um ano
tão solitário quanto quem chega ao topo
esperançoso, vulnerável, humano
brincando com os controles, fingindo ser louco
comida em pasta, bebida reciclada
programas de humor do ano passado
barra de ferro, saco de pancada
livros de outras linguas que não falo
os icebergs de saturno ainda brilham com a lembrança de um sol que se despede
outro desvio pra evitar cometas, acredito que eles sempre me seguem
se eu já não sei se chegarei a tempo de conhecer outras formas de vida
como saber se chegarei a salvo em alguma terra desconhecida?
e quem sabe eu não seja o alvo, por invadir o universo alheio
mas eu prossigo, firme e calmo, tento evitar o meu maior receio.
7.1.11
certeza em fevereiro
tem alguma coisa que você passou muito tempo tentando mudar até descobrir que tanto faz?
algum desejo intenso que te corroía por dentro e que agora não quer mais?
E ao rir do exagero como tratava o que queria, com a mão na testa , ver como é fácil se perder no meio do caminho e esquecer o que ia comprar.
E partir em pedaços o pouco que lhe resta, evitar previsões ou promessas, verificar se os freios ainda funcionam.
sem ressentimentos, cada um vai para um lado, persegue o que acredita, abraça o que lhe falta, condena o que lhe irrita.
algum desejo intenso que te corroía por dentro e que agora não quer mais?
E ao rir do exagero como tratava o que queria, com a mão na testa , ver como é fácil se perder no meio do caminho e esquecer o que ia comprar.
E partir em pedaços o pouco que lhe resta, evitar previsões ou promessas, verificar se os freios ainda funcionam.
sem ressentimentos, cada um vai para um lado, persegue o que acredita, abraça o que lhe falta, condena o que lhe irrita.
15.12.10
quinze
aprende-se muito passando bastante tempo em um lugar sem janelas
com coleta seletiva, chão sujo de terra, luzes fluorescentes simpáticas
com ar condicionado no máximo, cadeiras sem apoio para o braço, sopas temperadas com pimenta
com cabides para capacetes,armários recheados de biscoitos recheados, cadeados em ordem alfabética
com paredes acolchoadas, espelhos côncavos e convexos, emaranhado de fios diversos
aprende-se muito com bebedouros, alagamentos e sistemas informatizados
com conversas paralelas, diretas e indiretas
com comentários sobre o tempo e tudo mais que for óbvio
vendo seguranças bocejando em suas motos
recebendo um inesperado refrigerante grátis
com coleta seletiva, chão sujo de terra, luzes fluorescentes simpáticas
com ar condicionado no máximo, cadeiras sem apoio para o braço, sopas temperadas com pimenta
com cabides para capacetes,armários recheados de biscoitos recheados, cadeados em ordem alfabética
com paredes acolchoadas, espelhos côncavos e convexos, emaranhado de fios diversos
aprende-se muito com bebedouros, alagamentos e sistemas informatizados
com conversas paralelas, diretas e indiretas
com comentários sobre o tempo e tudo mais que for óbvio
vendo seguranças bocejando em suas motos
recebendo um inesperado refrigerante grátis
13.12.10
Coleção 3/10
Entendo agora cada um dos motivos
alvo do seu olhar de reprovação, não há nada que me proteja
deixe um pedaço de mim, por compaixão
neve sabor cereja
alvo do seu olhar de reprovação, não há nada que me proteja
deixe um pedaço de mim, por compaixão
neve sabor cereja
18.11.10
coleção 2/10
Lembrança feito pólvora, espalhada em espirais
Combustão por faísca de quem tanto a deseja
Esquecer-te era tudo e eu não fui capaz
neve sabor cereja
Combustão por faísca de quem tanto a deseja
Esquecer-te era tudo e eu não fui capaz
neve sabor cereja
14.11.10
mini histórias
A areia molhada sujava o chinelo, ele corria tomando atalhos em seu bairro pequeno. com meia dúzia de ovos na sacola, inconsequente e agitado, olhando em sua volta. Sempre quando olhava para alguém e era correspondido, desejava boa tarde. Se distraiu e torceu seu pé, quebrou quase todos os ovos.
- Eu não tenho muito para lhe oferecer. Dizia enquanto olhava para o chão.
- Se enxerga assim, quem sou eu para te convencê-lo do contrário.
Pôs seu casaco com fúria e deixou o local. Um carro bateu em um muro ali perto, um anel foi arremessado em sua direção e parou bem perto do seu pé. Ela fitou por uns segundos enquanto se afastava sem nada fazer a respeito.
Estavam todos reunidos na sala. Então ele perguntou se alguém gostaria de dizer alguma coisa. Um rapaz se manifestou:
- Olha, acho que estou virando pedra.
E realmente estava. Na verdade, a casa toda estava. Todos correram em direção à porta, mas com desespero ficava difícil usar o "macete" para abrí-la".
A indústria química passou dos limites e naquela manhã o rio estava gelatinoso e denso. Um curioso se jogou da ponte e se espantou: seu impacto fora amortecido.Pouca gente sabe que gelatina é feita de ossos de galinha.
Um homem equipou sua casa com produtos descartáveis: toalhas, copos, pratos. Mas talheres de plástico eram horríveis, ele preferia os comuns. As visitas achavam que todo dia era algum tipo de festa.
- Eu não tenho muito para lhe oferecer. Dizia enquanto olhava para o chão.
- Se enxerga assim, quem sou eu para te convencê-lo do contrário.
Pôs seu casaco com fúria e deixou o local. Um carro bateu em um muro ali perto, um anel foi arremessado em sua direção e parou bem perto do seu pé. Ela fitou por uns segundos enquanto se afastava sem nada fazer a respeito.
Estavam todos reunidos na sala. Então ele perguntou se alguém gostaria de dizer alguma coisa. Um rapaz se manifestou:
- Olha, acho que estou virando pedra.
E realmente estava. Na verdade, a casa toda estava. Todos correram em direção à porta, mas com desespero ficava difícil usar o "macete" para abrí-la".
A indústria química passou dos limites e naquela manhã o rio estava gelatinoso e denso. Um curioso se jogou da ponte e se espantou: seu impacto fora amortecido.Pouca gente sabe que gelatina é feita de ossos de galinha.
Um homem equipou sua casa com produtos descartáveis: toalhas, copos, pratos. Mas talheres de plástico eram horríveis, ele preferia os comuns. As visitas achavam que todo dia era algum tipo de festa.
7.11.10
o caráter irreversível do tempo
não vai acreditar, mas essa manhã eu acordei achando que nada vale a pena
onde vou me esconder se o maior malefício vem de dentro e eu não sei qual é o problema?
você pode até discordar, mas não vejo propósito em esboçar um falso e tosco sorriso
e há de convir que não há para onde ir, nem você sabe o que eu preciso
ainda com as palavras engasgadas, deixo escapar um par de mágoas borradas
e me arrependo em segredo por cada
precipitação,impulsividade
leve confusão ao explicar toda verdade
não vai acreditar, mas essa manhã eu acordei com um pingo de esperança
vou sobreviver, pois não há o que temer, sendo amigo da vida que nos cansa
onde vou me esconder se o maior malefício vem de dentro e eu não sei qual é o problema?
você pode até discordar, mas não vejo propósito em esboçar um falso e tosco sorriso
e há de convir que não há para onde ir, nem você sabe o que eu preciso
ainda com as palavras engasgadas, deixo escapar um par de mágoas borradas
e me arrependo em segredo por cada
precipitação,impulsividade
leve confusão ao explicar toda verdade
não vai acreditar, mas essa manhã eu acordei com um pingo de esperança
vou sobreviver, pois não há o que temer, sendo amigo da vida que nos cansa
3.11.10
hora de ir
tanto faz, essa camisa meio amassada nas mangas
tanto faz, o caderno deixado em cima da mesa
o motorista hoje está com pressa, disso você tem certeza.
tanto faz, o caderno deixado em cima da mesa
o motorista hoje está com pressa, disso você tem certeza.
30.10.10
como perdi cem quilos
não foi revisão de hábitos
nem foi por dedicação
ou por convenções estéticas
não foi o que me disseram
nem tampouco decisão
consequência de decepção
descobri a pior das coisas
quando me revirava em noites mal dormidas, eu pude ver:
não estou quebrado
tudo funciona perfeito
tudo e de um certo jeito
eu consegui
se soubesse como é acordar e não sentir, oh chão, o que faria?
- simplesmente deixaria de existir
de que adianta ser louvável, já que causa tanta dor?
mesmo salvando milhões de vidas
não adiantou
não salvou a minha
e eu te pergunto todo dia se era o que você queria
ou se você errou ao me dar escolha
se a escolha já não é minha e nem parece ser sua
o que restou?
nem foi por dedicação
ou por convenções estéticas
não foi o que me disseram
nem tampouco decisão
consequência de decepção
descobri a pior das coisas
quando me revirava em noites mal dormidas, eu pude ver:
não estou quebrado
tudo funciona perfeito
tudo e de um certo jeito
eu consegui
se soubesse como é acordar e não sentir, oh chão, o que faria?
- simplesmente deixaria de existir
de que adianta ser louvável, já que causa tanta dor?
mesmo salvando milhões de vidas
não adiantou
não salvou a minha
e eu te pergunto todo dia se era o que você queria
ou se você errou ao me dar escolha
se a escolha já não é minha e nem parece ser sua
o que restou?
pedido de demissão
dando ré, pela décima primeira vez
em uma rua apertada, onde carros mal estacionados bloqueiam a passagem
dando ré, pela décima segunda vez
subindo pela calçada, enquanto as janelas são arranhadas pelos galhos das árvores
dando ré, pela décima terceira vez
muitas caras já fechadas, me olhando com reprovação como se eu tivesse culpa
dando ré, pela décima quarta vez
com celulares desligados, sozinho contra uma multidão de cobranças pertinentes
dando ré, pela décima quinta vez
eu só quero ir pra casa, o silêncio é bem vindo e o sono, inimigo
dando ré, pela décima sexta vez...
em uma rua apertada, onde carros mal estacionados bloqueiam a passagem
dando ré, pela décima segunda vez
subindo pela calçada, enquanto as janelas são arranhadas pelos galhos das árvores
dando ré, pela décima terceira vez
muitas caras já fechadas, me olhando com reprovação como se eu tivesse culpa
dando ré, pela décima quarta vez
com celulares desligados, sozinho contra uma multidão de cobranças pertinentes
dando ré, pela décima quinta vez
eu só quero ir pra casa, o silêncio é bem vindo e o sono, inimigo
dando ré, pela décima sexta vez...
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